terça-feira, 25 de outubro de 2016

Lançamento de Livro



No dia vinte e oito de julho de 2016, Cristiane de Cássia Nogueira de Abreu, lançou o seu livro "A Infância Vitimizada: Retratos da Violência Doméstica Contra a Criança" da editora Appris. Ela recebeu os amigos e colegas do ATEGEN para um debate, seguido de coquetel, no Museu Histórico de Campos dos Goytacazes. O livro de Cristiane é resultado da pesquisa realizada para a sua dissertação de mestrado. A contracapa do livro resume em poucas palavras a importância do trabalho por ela realizado:
“As reflexões presentes em A infância vitimizada: relatos da violência doméstica contra a criança apresentam subsídios para se entender e repensar essa delicada questão, ainda muito presente na sociedade. A autora, médica e pediatra, mas com um olhar sociológico e histórico bastante aguçado, mostra com grande sensibilidade os tristes destinos de crianças dilaceradas pela ausência de quem verdadeiramente cuide delas, dando-lhes o amor e a proteção de que necessitam. Sem descambar para a pieguice, Cristiane de Cássia Nogueira Batista de Abreu mostra que não é apenas nos grandes centros que as coisas acontecem. Em uma pequena cidade do interior, aparentemente tranquila e sem muitas atribulações, as crianças são igualmente maltratadas, demonstrando que o abandono ocasionado pela miséria, além do desamor e da irresponsabilidade, não propriamente dela derivados, podem ter consequências funestas para as crianças que tiveram o infortúnio de vir ao mundo tendo como pais pessoas que não as consideram um tesouro, mas apenas um estorvo.”

terça-feira, 17 de novembro de 2015

Lançamento do Livro " Das Areias de Ipanema À Planíce Goytacá: Gênero, Política e Poder no Museu de Campos dos Goytacazes.

No dia 08 de julho de 2015 foi lançado no Museu de Campos o livro Das Areias de Ipanema à Planície Goytacá: Gênero, Política e Poder. Em noite de festa, brindamos a edição de mais um trabalho dos pesquisadores do Atelier de Estudos de Gênero. O livro foi prefaciado pelo sociólogo Daniel Welzer-Lang especialista em questões de gênero e professor da Universidade de Toulouse - Le Mirail (França). O trabalho foi o resultado das pesquisas desenvolvidas pelos membros do Atelier, orientados pela Professora Marinete dos Santos Silva. A edição foi patrocinada pela FAPERJ que dentre muitos textos, selecionou o nosso pela sua qualidade e importância da temática desenvolvida.      



terça-feira, 14 de julho de 2015

Lançamento do livro "Das areais de Ipanema à Planície Goytacá"


         O novo livro do ATEGEN "Das areias de Ipanema à Planície Goytacá: gênero, política e poder" , foi lançado no Bar Tô Nem Aí, na Rua Farme de Amoedo - Rio de Janeiro, em 03 de maio.  O trabalho também foi apresentado no Museu Histórico de Campos dos Goytacazes, no dia 08 de julho de 2015. O evento contou com a participação dos autores, que compuseram uma mesa de debates, seguida de sessão de autógrafos e coquetel. 

         Seguem alguns registros dos lançamentos:
















quarta-feira, 25 de março de 2015

O ATEGEN no IV Enlaçando Sexualidades

Os pesquisadores do ATEGEN, Fábio Bila e Rafael França, participarão da coordenação do Enlace Temático "Gêneros: transgressões, enquadramentos e violências", no IV Seminário Enlaçando Sexualidades, que acontecerá na Universidade Estadual da Bahia, de 26 a 29 de maio de 2015.

Confira a programação no site do evento: www.enlacando.uneb.br/pt/apresentacao/ 

Novos Lançamentos do ATEGEN

O Atelier de Estudos de Gênero coordenado pela professora Marinete Dos Santos Silva lança novos títulos resultantes das pesquisas realizadas pelo grupo. Dia 07 de abril de 2015 às 19 horas será lançado no Museu Histórico de Campos, na Praça São Salvador, o livro de Rafael França Gonçalves dos Santos intitulado As aparências enganam? a arte do fazer-se travesti. da Editora Appris.

No dia 08 de julho de 2015 será lançado no Museu Histórico de Campos  o livro organizado pela professora Marinete dos Santos Silva intitulado Das Areias de Ipanema à Planície Goytacá: Gênero, Política e Poder da Editora Quartet/FAPERJ. Trata-se de uma coletânea de artigos produzidos por seus orientados:  Cristiane de Cássia N. B. de Abreu, Fabio P. Bila, Marusa Bocafoli da Silva, Rafael F. G. dos Santos e Sana Gimenes A. Domingues. Essa coletânea é prefaciada pelo sociólogo Daniel Welzer-Lang da Universidade de Toulouse Le Mirail (França).

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Pesquisadores do ATEGEN integram um novo lançamento editorial.

Veio à luz o livro Diversidades e Desigualdades na Contemporaneidade, organizado pelos professores Wladmir Blos e Fabio Pessanha Bila e publicado pela EDUFBA com apoio da CAPES. Esse trabalho é fruto do IV Seminário Anual de Ciências Sociais da UESC (Universidade Estadual de Santa Cruz - Ilhéus-BA), realizado em dezembro de 2011. Os integrantes do ATEGEN lá estiveram e, agora têm seus trabalhos publicados. O professor Fabio Pessanha Bila além de ser um dos organizadores do livro aparece com um artigo em parceria com Tarcisio Dunga Pinheiro, intitulado Da Obscuridade ao Colorido do Arco-Iris: os percalços e a luta política do movimento homossexual. "Um corpo para servir: o trabalho doméstico e a construção cultural do corpo feminino" foi o artigo produzido por Marusa Bocafoli da Silva. Os demais membros do ATEGEN também marcaram presença. A coordenadora, professora Marinete dos Santos Silva aparece com o seu "A modernidade e a busca pela igualdade: uma trajetória." Rafael França Gonçalves dos Santos produziu "Transgredir sem agredir: travestis e a construção de femininos possíveis." Renata de Souza Francisco produziu igualmente o seu " Travestilidade e encarceramento: o caso do Presidio Carlos Tinoco Fonseca e finalmente Sana Gimenes Alvarenga Domingues contribuiu com o seu "Gênero, poder e política no Partido dos Trabalhadores"   

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Profª Drª. Marinete dos Santos Silva, coordenadora do ATEGEN, publica artigo em livro.

Foi lançado na UERJ, no dia 13 de novembro de 2013, o livro intitulado "Vozes Femininas do Império e da República: caminhos e identidades". Organizado pelas professoras Lia Faria e Yolanda Lôbo, a obra conta com o artigo "Costureira, Artista, Prostituta ou Cidadã?: as francesas no espaço público carioca e suas vozes dissonantes", da Profª. Drª. Marinete dos Santos Silva, coordenadora do Atelier de Estudos de Gênero - UENF.

Defesa de Dissertação de Mestrado

No dia 24 de setembro de 2013, o Atelier de Estudos de Gênero apresentou sua mais nova contribuição para o debate acadêmico. Renata de Souza Francisco defendeu a dissertação de mestrado intitulada "Tropa de Elite no Feminino: a participação feminina no Batalhão de Operações Especiais do Rio de Janeiro - BOPE". A banca foi constituída pelos professores: Luciane Soares (UENF), Denise Terra (UENF) e Sebastião Pimentel (UFES). O trabalho foi orientado pela professora Marinete dos Santos Silva.

terça-feira, 16 de julho de 2013

Defesa de Dissertação de Mestrado

No dia 26 de junho de 2013, o Atelier de Estudos de Gênero apresentou sua mais nova contribuição para o debate acadêmico a respeito do tema gênero e trabalho. Marusa Bocafoli da Silva defendeu a dissertação de mestrado intitulada "Patroas e empregadas em Campos dos Goytacazes: uma relação delicada". A banca, constituída pelos professores: Luciane Soares (UENF), Carlos Eugênio Soares de Lemos (UFF) e Vitor Peixoto (UENF), destacou a relevância social do tema e a qualidade do trabalho realizado, sugerindo sua publicação. O trabalho foi orientado pela professora Marinete dos Santos Silva.

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Integrantes do ATEGEN participam de Seminário em São João da Barra/RJ

Marinete dos Santos Silva - Coordenadora do ATEGEN


Aconteceu no último dia 17 de abril de 2013, das 8 às 17 horas, o evento "Quebrando o Silêncio: I Seminário de Violência Contra a Mulher, a Criança e o Adolescente de São João da Barra". Organizado pela Secretaria de Saúde, contou com a participação da Professora Drª. Marinete dos Santos Silva, que proferiu a conferência de abertura, na parte da manhã. À tarde, Cristiane de Cássia Nogueira Batista de Abreu (doutoranda em Sociologia Política-UENF) e Rafael França Gonçalves dos Santos (mestre em Sociologia Política-UENF) participaram das mesas de debates sobre a violência contra a criança e população LGBT.


segunda-feira, 18 de março de 2013

Colóquio de Estudos de História e Gênero

Pesquisadores do ATEGEN-UENF coordenam Simpósio Temático no Colóquio de Estudos de História e Gênero.

Acesse o site e participe!

http://eventos.unicentro.br/genero2013/index.php

Conferência na UESC sobre o Dia Internacional da Mulher

Professora Marinete dos Santos Silva

Dia Internacional da Mulher – uma história de lutas e conquistas



Esse foi o tema tratado na palestra realizada no último dia 8 de março, proferida pela professora Marinete dos Santos Silva, da Universidade Estadual do Norte Fluminense (UENF) e coordenadora do Atelier de Estudos de Gênero (ATEGEN), grupo de pesquisa vinculado àquela Universidade. O evento foi uma promoção conjunta dos Departamentos de Ciências Jurídicas, Filosofia e Ciências Humanas e Ciências da Educação da Universidade Estadual de Santa Cruz, com o apoio do Serviço de Referência dos Direitos da Mulher (SER-Mulher), projeto de extensão do Departamento de Ciências Jurídicas que tem apoio financeiro do MEC/PROEXT.

O evento contou com a presença da Reitora da UESC, Profa. Adélia Pinheiro, e de diversas professoras da Universidade, além de representantes de movimentos sociais, como o Coletivo da Marcha das Vadias/Itabuna, Coletivo LGBT da UESC e Rede de Mulheres Pescadoras e Marisqueiras do Sul da Bahia.

Em sua intervenção, a professora Marinete fez uma abordagem atual da situação das mulheres no Brasil e no mundo, relatando casos práticos vivenciados pelos pesquisadores do ATEGEN, que demonstram ainda a existência de situações de subserviência feminina em relação ao masculino, oriundas principalmente de uma situação de dependência, seja ela física, psicológica ou material. Ressaltou também que a situação de desigualdade, principalmente física, sempre faz com que a mulher saia perdendo nos embates com o homem. “A mulher precisa ser inteligente, senão acaba levando a pior: pode apanhar ou mesmo ser morta pelo companheiro”. A solução para o problema? “Empoderamento feminino”, defende a professora. Existe uma clara relação de poder entre gêneros, e somente com a aquisição de poder a mulher pode se tornar autônoma e acabar com a relação de dependência.

Após a exposição, seguiu-se um rico debate entre os presentes, inclusive com depoimentos de mulheres que conseguiram se libertar de situação de dependência a partir de uma tomada de posição rumo ao seu empoderamento. Ao final, mostrou-se claro o propósito de se firmar parcerias entre os dois grupos de pesquisa para projetos futuros.

Extraído do Blog SER Mulher

http://www.ser-mulher.org/dia-internacional-da-mulher-uma-historia-de-lutas-e-conquistas/

Reprodução, sexualidade e poder: as lutas e disputas em torno do aborto e da contracepção no Rio de Janeiro, 1890-1930


Artigo da Profª Drª Marinete dos Santos Silva foi publicado no último número da revista História, Ciências, Saúde: Manguinhos.

Reprodução, sexualidade e poder: as lutas e disputas em torno do aborto e da contracepção no Rio de Janeiro, 1890-1930. Hist. cienc. saude-Manguinhos [online]. 2012, vol.19, n.4, pp. 1241-1254.  Epub Nov 27, 2012. ISSN 0104-5970.  http://dx.doi.org/10.1590/S0104-59702012005000005.

Este artigo analisa o debate de médicos acerca do aborto, da virada do século XIX até os anos 1930, sobretudo na Academia Nacional de Medicina. Considerado um crime, o aborto era visto como algo que ameaçava o domínio dos maridos sobre as esposas e o controle dos atos médicos em relação ao corpo feminino. As parteiras, tidas como as divulgadoras das técnicas médicas de interrupção da gravidez, foram combatidas como grave ameaça à ordem de gênero constituída. Foram analisadas dez teses da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, os boletins da Academia Nacional de Medicina e matérias publicadas nos jornais Correio da Manhã e O Globo.

Keywords : aborto; crime; corpo; parteiras; dominação.

Acesse o artigo na íntegra:


O Dia Internacional da Mulher: o que podemos comemorar?





Matéria publicada no Blog Ciência UENF



Professora Marinete dos Santos Silva



Nos últimos anos, o Dia Internacional da Mulher popularizou-se de tal maneira que uma rede de lojas bastante conhecida em nosso país instituiu no mês de março a “semana da mulher”. As emissoras de TV em anúncios bastante ruidosos mostram as ofertas de lingerie, produtos de higiene pessoal e beleza dedicados a ela e oferecidos a preços teoricamente mais baixos. Nas empresas é bastante comum o oferecimento de rosas às mulheres como forma de homenageá-las pelo seu dia. Na grande mídia escrita — os principais jornais do país e as revistas semanais — não raro aparecem matérias onde mulheres de sucesso, com carreiras sedimentadas, abandonam o trabalho para se dedicarem ao marido e aos filhos renunciando, portanto, à independência financeira e à realização pessoal.


Essas demonstrações têm um ponto em comum: estão anexadas em uma visão de que o Dia Internacional da Mulher foi criado para homenageá-la exaltando os seus papéis tradicionais de dona-de-casa, esposa, mãe e grande sedutora. Nunca são mostradas mulheres com carreiras de êxito e que, mesmo diante de todas as dificuldades, perseveraram e muito menos os índices alarmantes da violência perpetrada contra elas.


Quando essa comemoração foi instituída pensou-se justamente em um dia onde as pessoas pudessem parar e refletir sobre a situação de metade da humanidade. Pensou-se principalmente em levar às pessoas uma questão fundamental: por que chegamos aos dias atuais com tantos avanços tecnológicos, avanços científicos nos mais variados campos, mas, apesar disso, ainda persistem grandes desigualdades entre homens e mulheres? Muitas pessoas poderiam contestar essa afirmativa dizendo simplesmente que temos uma presidenta da república, temos reitoras nas universidades públicas, deputadas, senadoras, prefeitas etc.


O fato de termos algumas mulheres em cargos decisórios não significa, entretanto, que as desigualdades tenham sido suplantadas. A maioria ainda patina em trabalhos mal remunerados e sem a mínima consideração social. Mesmo em cargos especializados, as mulheres ainda recebem em média 30% a menos que os homens.


As desigualdades econômicas entre homens e mulheres já foram aferidas por agências respeitáveis como a ONU, o IBGE, o IPEA, mas é ainda a questão da violência o que mais choca dentro desse quadro de assimetria de poderes. Em recente entrevista, o Secretário Geral da ONU revelou que a violência contra a mulher tornou-se na atualidade uma pandemia, afetando todos os países em níveis alarmantes. No Brasil, dados do Ministério da Saúde mostram que o número de mulheres assassinadas cresceu 217,6% nos últimos trinta anos. Entre 1980 e 2010, foram assassinadas 91.932 mulheres. Somente na última década, foram registradas 43.486 mortes. Se pensarmos que os Estados Unidos perderam na guerra do Vietnan 40.000 soldados poderemos ter a exata medida da tragédia que se abate sobre nós.


Poder-se-ia perguntar a essa altura: para que serve a Lei Maria da Penha, em vigência desde 2007? Imaginava-se que ela viria modificar esse quadro, preservando a integridade física das mulheres. Sua eficácia, entretanto, mostra-se bastante reduzida quando os operadores da lei não possuem treinamento adequado para atender as ocorrências, não decretando a prisão dos agressores ou não cumprindo mandados que garantissem a vida daquelas que ousam registrar queixas nas Delegacias Especializadas. Vale ressaltar que uma simples lei não muda um quadro cultural em que o homem se sente proprietário da mulher e que se acha com direitos sobre o seu corpo e a sua vontade, não aceitando o fim de um relacionamento quando a iniciativa é tomada por ela. A questão é mais profunda e se insere no quadro de desigualdades falado anteriormente.


O que podemos fazer para mudar essa dolorosa realidade? As discussões sobre ela nos remetem ao chamado “empoderamento” das mulheres. Esse termo foi criado para mostrar a necessidade de elas compartilharem o poder com os homens em todas as esferas, mudando dessa forma a correlação de forças não apenas no sentido político tradicional, mas igualmente no âmbito privado. “Empoderar” as mulheres é fazê-las capazes de decidir sobre seu corpo, seu trabalho, sua sexualidade. Essa luta não pode ser travada apenas pelas mulheres em seus coletivos de discussão. Ela é uma luta de todo o povo brasileiro: homens e mulheres. Nossos parceiros não podem ser nossos carrascos. Seria bom se esse 08 de março de 2013 pudesse ser um dia não apenas de comemorações frívolas, mas de reflexão para a vida e a felicidade de todos nós. 


*Professora do Laboratório de Estudos da Sociedade Civil e do Estado (LESCE) do Centro de Ciências do Homem (CCH) da UENF.




terça-feira, 31 de julho de 2012

Útero a serviço da sociedade?


Por pressão das bancadas fundamentalistas, Brasil pode ter lei que reduz grávidas a objetos reprodutivos. É hora de barrar ameaça

Por Marília Moskcovitch, editora de Mulher Alternativa


Um mundo onde as mulheres férteis são corpos a serviço do Estado. Elas servem para gerar bebês, reproduzir a espécie. Seus corpos são assunto público. É dever delas e de toda a sociedade cuidar desses corpos, mantê-los em boas condições. Elas são um serviço. Atentar contra este serviço é crime: qualquer ameaça a sua integridade física é punida severamente, quer venha delas mesmas ou de outrem. Por isso, são confinadas em espaços ultra-seguros, numa rotina rígida que inclui todas as práticas que a medicina considera apropriadas antes, durante e depois de uma gravidez. A vida destas mulheres vale menos do que os óvulos ainda não fecundados em seus ovários, e menos ainda do que a existência da potencial pessoa, ainda em forma de feto enquanto estão grávidas.

terça-feira, 17 de julho de 2012

Inscrições abertas para o curso de capacitação para professores


Já estão abertas as inscrições para o Curso de Capacitação em Gênero e Diversidade. Esse curso será ministrado pelos pesquisadores do Atelier de Estudos de Gêneros – ATEGEN (LESCE/CCH/UENF). Serão 5 encontros com carga horária total de 20 horas. Os encontros ocorrerão aos sábados das 9 às 12h na sala 205 do CCH/UENF nos dias 04/08, 11/08, 18/08, 25/08 e 01/09. Neste curso buscar-se-á fazer uma abordagem crítica sobre a temática do gênero e da diversidade na sociedade contemporânea e, sobretudo, no ambiente escolar. A abordagem da temática do gênero e diversidade será norteada pelas discussões acerca da cidadania e direitos humanos sob a perspectiva histórica e sociológica.

Serão oferecidas 30 vagas para o curso.

Atenção!

Em virtude do recesso escolar e visando possibilitar a um maior número de professores participarem do curso, as inscrições que iriam até o dia 01/08 foram prorrogadas até às 18h do dia 03/08 e serão realizadas exclusivamente pelo site.

Clique aqui para mais informações. 

Clique aqui para realizar sua inscrição. 

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Convite


Defesa de dissertação de mestrado de Rafael França Gonçalves dos Santos, no Programa de Pós-Graduação em Sociologia Política - UENF.

“As aparências enganam? O fazer-se travesti em Campos dos Goytacazes (2010-2011)”


Data: 27 de junho de 2012

Horário: 14 horas

Local: Mini-Auditório A – CCH UENF

Banca examinadora: Profª. Drª.  Marinete dos Santos Silva (Orientadora)

                               Prof. Dr. Carlos Eugênio Soares de Lemos – UFF

                               Profª. Drª. Luciane Soares da Silva – UENF

                               Prof. Dr. Vitor Moraes Peixoto – UENF

Convite


Defesa de dissertação de mestrado de Cristiane de Cássia Nogueira Batista de Abreu, no Programa de Pós-Graduação em Sociologia Política - UENF.

“A infância vitimizada: retrato da violência doméstica contra a criança em São João da Barra”

Data: 26 de junho de 2012

Horário: 14 horas

Local: Mini-Auditório A – CCH UENF

Banca examinadora: Profª. Drª.  Marinete dos Santos Silva (Orientadora) – UENF
                               Profª Drª Regina Célia de Souza Campos Fernandes – FMC
                               Profª. Drª. Luciane Soares da Silva – UENF
                               Profª Drª Denise Cunha Tavares Terra – UENF

O aborto no Brasil: um caso de saúde pública



Marinete dos Santos Silva
LESCE/CCH/UENF
Atelier de Estudos de Gênero - ATEGEN

            O pensamento conservador no Brasil tem, no meu entender, uma vertente apocalíptica. Quando algo o contraria, faz previsões catastróficas. Lembro-me do ano de 1974 quando o projeto de lei que instituiu o divórcio estava sendo debatido. Os que não queriam o divórcio argumentavam que caso a lei passasse no Congresso Nacional, a família brasileira estaria ameaçada. Seria o apocalipse: lares desfeitos, crianças com os pais separados etc. O divórcio virou lei porque o Estado precisava  regularizar a situação de milhares de filhos de pais desquitados ou separados que eram tidos como bastardos. A lei do divórcio veio, para regularizar essa situação e dar às pessoas infelizes no casamento, a possibilidade de recomeçar uma nova vida. Os católicos nunca admitiram o divórcio sob a alegação de que o que “Deus uniu o homem não separa”. Dessa forma, pressupõe-se que os católicos não se divorciem e continuem a levar em frente uma união infeliz e mortificante. O Estado brasileiro, que é laico desde a 1ª Constituição Republicana datada de 1891, não se pautou pelos preceitos católicos e sancionou o divórcio deixando aos não-católicos a possibilidade de utilizá-lo em caso de necessidade.
            Durante os debates sobre o divórcio, os que a ele eram contrários acamparam na porta do Congresso Nacional em vigília, fazendo previsões terríveis a respeito do que viria caso ele fosse aprovado. Essas previsões não se concretizaram, a família não acabou, os casamentos continuaram a acontecer e os divórcios também.
            Nos anos 90 do século passado foi instaurado um grande debate sobre o salário mínimo que valia menos de 100 dólares. Um senador do PT do Rio Grande do Sul, Paulo Paim quase que diariamente subia a tribuna para falar daquilo que ele considerava uma vergonha nacional: o salário mínimo abaixo de 100 dólares. De certa feita, no auge da empolgação, rasgou um exemplar da Constituição Brasileira sob a alegação de que os seus preceitos de nada valiam, pois o salário mínimo que era pago ao trabalhador brasileiro a desrespeitava.
            Os contrários ao aumento do mínimo argumentavam que caso ele chegasse a 100 dólares as empresas quebrariam e o país não resistiria. O tempo passou, o governo de Fernando Henrique Cardoso acabou e o que vimos no governo subseqüente do Presidente Lula foi o aumento do salário mínimo que hoje gira em torno de 300 dólares. As previsões catastróficas dos que eram contra não se cumpriram. Pelo contrário, a economia do país vai bem e vemos um aumento do poder de compra das pessoas em geral. Observamos, também, a emergência da famosa classe C, formada segundo o que dizem as fontes oficiais – IBGE, FGV – por milhares de pessoas que hoje têm acesso a bens de consumo como viagens de avião, antes só acessíveis aos mais ricos.
            Na primeira década do século XXI o debate girou em torno dos homossexuais, que foram às ruas em passeatas que reuniam milhares de pessoas, reivindicando a união civil entre pessoas do mesmo sexo e a criminalização da homofobia.
            Novamente os conservadores fizeram previsões catastróficas: será o fim da família, não podemos aceitar tal coisa. O Estado, mais uma vez, pautou sua ação não pela ética religiosa, cristã, mas pela sua própria lógica. Se os homossexuais – mulheres e homens – já vivem juntos independentemente de ser legal ou não a sua união, que a mesma se legalize e que os cidadãos e cidadãs que trabalham e pagam seus impostos possam regularizar a sua questão patrimonial e sucessória, assim como os benefícios dos planos de saúde e pensões. O Supremo Tribunal Federal bateu o martelo e hoje a união civil entre pessoas do mesmo sexo é uma realidade legal. E a família como vai? Essa vai muito bem, pois os gays já estão até adotando crianças e tocando suas vidas. O mundo, ao que tudo indica, não acabou.
            Nos dias que correm, parece que a questão eleita pelo pensamento conservador é o aborto. O Código Penal Brasileiro, que data de 1947, prevê a possibilidade de aborto em dois casos: risco de vida para a mãe e gravidez proveniente de estupro. Embora previstos em lei, as mulheres brasileiras não podiam se beneficiar dessas possibilidades, pois as mesmas não haviam sido regulamentadas. Somente no governo de Fernando Henrique Cardoso, durante a gestão de José Serra à frente do Ministério da Saúde, é que houve essa regulamentação. A possibilidade de aborto em caso de feto anencéfalo, só recentemente entrou na pauta das discussões, em face da decisão do STF permitindo-o. Parece, entretanto, que o pensamento conservador não gostou da decisão do Supremo, e volta à carga prenunciando um novo fim do mundo.
            O aborto até 12 semanas de gestação é um direito das mulheres em todos os países desenvolvidos da Europa: França, Alemanha, Noruega, Itália, Suécia, Holanda, Dinamarca, Finlândia, Inglaterra, Suíça e até Portugal, considerado um país extremamente conservador. No continente americano, ele é permitido nos Estados Unidos e no Canadá. Foi um direito conquistado pelo movimento feminista, que se articulou com  vários outros setores da sociedade nos anos 60 – os chamados Anos Rebeldes – e que foi para as ruas exigindo os direitos expressos nos slogans: “trabalho igual, salário igual” e “meu corpo me pertence”. Nesse último slogan estava impresso o desejo das mulheres de controlar o próprio corpo, onde se dá a gestação.
Vale lembrar que a 4º Conferência Mundial sobre a Mulher, realizada pela ONU em Pequim em 1995, e que contou com a participação do Brasil, exarou um documento final do qual o nosso país é signatário. Por ele, os direitos sexuais e reprodutivos das mulheres são considerados direitos humanos e devem ser respeitados por todos os países que o assinaram. Não é, pois de se estranhar, que na sequência tenha sido regulamentado no Brasil o aborto em caso de estupro e de risco para a vida materna e que o STF tenha legalizado o aborto em caso de anencefalia. Essas medidas não foram, pois, urdidas por “grupelhos de esquerda”, foram o resultado de compromissos legais assumidos pelo Brasil internacionalmente.   
A Secretaria Especial de Políticas para Mulheres, atualmente chefiada pela socióloga Eleonora Menucucci já fala da legalização do aborto até 12 semanas de gestação como uma medida de saúde pública e antes dela, o Ministro da Saúde do governo Lula, José Gomes Temporão, já havia batido na mesma tecla. No Brasil são feitos por ano milhares de abortos ilegais com consequências funestas para as mulheres. São utilizados talos do mamoeiro, agulhas de tricô, chás de ervas que causam intoxicações graves, sondas e Citotec. As mulheres pobres são as mais vitimizadas, pois só tem acesso ao aborto inseguro e realizado em péssimas condições de higiene. Invariavelmente, acabam em um hospital do SUS para a realização de curetagem e combate às infecções que sobrevém. Ocupam leitos, gastam recursos públicos e dão prejuízo ao Estado. Muitas ficam internadas por vários dias. As mulheres ricas e de classe média se dirigem às clínicas de aborto que existem por todo lado na capital do nosso Estado e pela quantia de mil e quinhentos reais, fazem um procedimento razoavelmente seguro com anestesia e que dura cerca de 10 minutos. Saem da clínica caminhando, sem problemas e podem retomar a vida normal no dia seguinte. O fato de o aborto ser proibido não impede que as clínicas estejam abertas ou que o Citotec seja vendido nas farmácias. As mulheres, historicamente, sempre procuraram alternativas para uma gravidez indesejada e continuaram a fazê-lo independentemente de ser considerado crime ou pecado.
O Estado brasileiro, que é laico, mais uma vez busca pautar sua ação não pela ética cristã, muçulmana ou budista, mas pela racionalidade econômica. O aborto é uma realidade. O estado despende grande soma de recursos para tratar das sequelas dele provenientes. É, portanto, mais barato financiar um aborto seguro, em boas condições higiênicas e que não necessita de internação. As leis e decisões judiciais vêm sempre ao encontro daquilo que a sociedade já pratica. Elas não surgem, em geral, em função de pequenos grupos, sejam de esquerda ou de direita.
Geralmente, o pensamento conservador contrário ao aborto fala em preservar a vida, mas esquece que o conceito de vida é uma decisão sociocultural e que tem uma historicidade. Na Idade Média, por exemplo, a Igreja Católica permitia o aborto até o feto movimentar-se no ventre materno, o que se dá por volta do quarto  mês de gestação. Considerava-se que só então se tratava de um ser humano. Quando afinal começa a vida? Poderíamos determinar o seu começo no sêmen do homem. Nesse caso dever-se-ía proibir a masturbação masculina? Ou então no óvulo da mulher. A menstruação das mulheres deveria então ser proibida?
A Igreja Católica é contrária às experiências científicas com células embrionárias e tentou impedi-las acampando na porta do STF. Novamente esse tribunal considerou legal essas experiências, não entendendo como vida o embrião que seria descartado pelas clínicas de fertilização humana.
Nesse debate acerca da implantação do aborto no Brasil – com um atraso de 40 anos em relação aos países desenvolvidos, é bom que se diga – o falso moralismo desempenha um papel importante. Na última eleição presidencial vimos a esposa do candidato José Serra acusar a atual presidenta Dilma Roussef de “abortista” e de “assassina de criancinhas” pelo fato da mesma ser favorável à legalização do aborto. Em meio ao debate, a máscara da senhora tão favorável à vida, caiu quando uma de suas alunas revelou que ela havia feito um aborto no Chile, quando José Serra era refugiado político. Muitos homens e mulheres que já pagaram abortos ou já o fizeram procuram, talvez, purgar a culpa que sentem por acreditarem ter feito algo errado, com uma posição radical contrária à sua legalização. Creio que devemos ter bom senso  e pensarmos que chegou o tempo de as mulheres deixarem de ser objetos da reprodução e passarem a ser sujeitos da mesma. A legalização do aborto não significa que todas as mulheres serão obrigadas a fazê-lo. As que são contrárias, evidentemente, não o farão. Entretanto, as demais terão ao seu dispor essa possibilidade, caso assim o desejem. A lógica do Estado não está pautada, portanto, em qualquer tipo de ética religiosa. Que isso fique bem claro para todos e todas.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Mulheres no BOPE

Foto: Revista Marie Claire

A pesquisadora do ATEGEN e aluna do Programa de Pós-Graduação em Sociologia Política da Universidade Estadual do Norte Fluminense UENF, Renata Souza, dá inicio ao seu trabalho de campo no Batalhão do BOPE-RJ, com objetivo de pesquisar a participação das integrantes do sexo feminino na Tropa de Elite da Polícia Militar. A pesquisa tem por objetivo fazer uma analise de gênero sobre a participação feminina em profissões que até pouco tempo eram exclusivamente masculinas, haja vista que a entrada da mulher no mercado de trabalho para desenvolver atividades tipicamente masculinas é algo recente em nossa sociedade. Segundo a pesquisadora, o estudo pretende dar visibilidade ao trabalho desenvolvido pelas mulheres que integram o BOPE, já que a presença feminina em instituições seculares brasileiras tais como a Polícia Militar e as Forças Armadas é um fenômeno recente. 

A exceção ao quadro delineado anteriormente cabe ao Estado de São Paulo, que segundo Musumeci e Soares (2005), instituiu um corpo feminino de guardas civis em 1955 e em 1970 foi criada a PMESP, que decidiu por incorporar as mulheres. No restante do Brasil a incorporação de policiais do sexo feminino só ocorreu a partir do final de 1970 e início de 1980. As mulheres incluídas nas corporações tinham como objetivo atuar de maneira diferenciada do policiamento masculino – percebido como mais repressivo e rude – principalmente em atividades ligadas ao cuidado de menores, mulheres, idosos, bêbados, trabalhos assistenciais, trabalhos burocráticos e outros considerados menos prestigiosos para serem desenvolvidos por homens. 

Tendo tal situação em tela, a pesquisa busca observar se há alguma mudança ou permanência neste paradigma observado na atuação feminina na polícia. Especialmente no Batalhão de Operações Policiais Especiais (BOPE) as mulheres policiais ainda continuam a desenvolver atividades “assistenciais” e burocráticas em detrimento de outras atividades voltadas para o policiamento ostensivo, consideradas masculinas? A pesquisa busca ouvir também a opinião dos “caveiras” masculinos a respeito da participação feminina na tropa. O trabalho pretende abordar também a questão da cidadania feminina, bem como fazer um histórico da participação feminina na Polícia Militar e principalmente no BOPE.